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Memórias da Patagônia: Guanacos, por George Chaworth Musters

HISTORY

28/03/2016 AWASI PATAGONIA
Guanacos in front of Torres del Paine Mountain Range, Chilean Patagonia
Guanacos in front of Torres del Paine Mountain Range, Chilean Patagonia
As palavras acima provêm do livro “At Home with the Patagonians” ("Na casa dos patagônios") escrito pelo explorador britânico George Chaworth Musters, em 1873.
 
Escolhemos esta seção sobre os guanacos, pois esses camelídeos passeiam livremente pelas redondezas do Hotel Awasi Patagônia e podem ser vistos das 12 villas individuais. De certa forma, são como um ícone das terras selvagens da Patagônia.
 
O guanaco abunda numa vasta extensão de terra que vai do Peru às regiões situadas ao leste dos Andes e desde as vastas planícies de Mendoza ao Estreito de Magalhães, chegando até mesmo à distante Terra do Fogo.
 
Em geral, o guanaco macho forma uma tropa de cerca de cem fêmeas e, em caso de algum perigo, ele sobe ao alto de uma rocha próxima e começa a relinchar como um cavalo, fazendo de si uma barreira para separar suas companheiras fêmeas do perigo. No entanto, durante a época de acasalamento, os machos viajam juntos em bandos, tal como fazem as fêmeas.
Muitas vezes eles esperam que um predador se aproxime e logo fogem rapidamente, distanciando-se do perigo. Seus meios de defesa consistem principalmente em dar patadas, com as patas dianteiras, embora, às vezes, também mordam, podendo causar uma ferida grave com seus tão característicos dentes.
 
A carne de guanaco é excelente, semelhante à carne de carneiro; a do guanaco jovem é mais parecida à carne de vitela. A lã, usada com fins comerciais devido a sua fina textura, é muito valiosa no Chile atualmente e serve para a fabricação de ponchos artesanais que são vendidos a preços elevados.
 
Há um detalhe notável sobre o guanaco: durante certos períodos do ano o seu estômago produz um tipo de secreção que se transforma em uma substância dura como a pedra, formando pedaços redondos de variados diâmetros que vão de 6,35 mm a 12,7 mm Alguns índios afirmam que essas pedras têm qualidades medicinais.
 
Os nativos utilizam a totalidade do guanaco. A pele do adulto é usada fazer toldos, coberturas ou barracas enquanto que a do feto ou do filhote é usada para cobertores; os tendões das costas fornecem fios enquanto que a pele do pescoço, por ser particularmente flexível e duradoura, é usada para fazer laços, boleadeiras, rédeas, etc. A pele do tendão das patas fornece sapatos ou forros para as boleadeiras e com o fêmur ou osso da coxa pode-se fazer dados ou instrumentos musicais.
 
 
O animal jovem é muito veloz e ligeiro, portanto, caçá-lo é todo um desafio. Atinge a maturidade completa aos dois ou três anos de idade e a melhor maneira de descrever o macho adulto é através das palavras do Tenente Gallegos quando estávamos observando um guanaco solitário no cimo de uma colina próxima. Cada certo tempo, o animal soltava um lamento estridente e perturbador! Então, Gallegos disse: “Ah! Você é realmente um animal estranho. Tem a lamentação de um cavalo, a lã do carneiro, o pescoço de um camelo, os pés de um veado e a velocidade do diabo”.
 
“At Home with the Patagonians” - (“Na casa dos patagônios”), 1873, por George Chaworth Musters

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